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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O repouso dos finados


O lugar, pelo princípio comunitário, mantinha ares de pacato e sagrado. Os moradores, através dos entes finados, enterravam a própria carne no solo nativo!
A tradição oral dizia: “O cemitério ostenta-se o lugar nobre, seguro e tranquilo do lugarejo”. A crença, desde a instalação, prevalecia entre os naturais!
Os avós e pais, aos filhos e netos, ensinavam a história e respeito pelo campo santo. As visitas, nas reminiscências e saudades, complementavam-se com referências aos ancestrais!
A sucessão de gerações, com o aumento e falecimento populacional, trouxe a progressiva urbanização. A comuna viu-se invadida e mudada pelos forasteiros e oportunistas!
O desrespeito, a hábitos e valores, revelou uma triste sina. As invasões ao cemitério, nas caladas da noite, somaram-se ao conjunto de afrontas e depredações!
A bandalheira, como drogadição, roubo e sexo, assumiu índices no lugar. A violação de sepulturas, numa afronta às tradicionais famílias, revelou bandidagem e violência!
A diretoria, numa tentativa vã de frear os abusos, afixou o aviso: “Deixem os mortos descansarem!” A instalação de cercas e câmaras parece uma questão de tempo!
O descaso e desrespeito ao patrimônio sentimental reforça a ideia da carência de lei e ordem. Os excessos, em abusos e libertinagens, conduzirão as restrições das liberdades!
O progresso com seus benefícios e inconveniências. O dinheiro externa garras até no repouso dos finados. A bestialidade humana desafia e ofende a inteligência e racionalidade!
                                                                                           
Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://www.vivimaurey.com.br/viva-cemiterio/

O tardio arrependimento


Um lugarejo, recém emancipado, mantinha-se historicamente calmo e seguro. Os naturais, ocupados na agricultura familiar de subsistência, viviam despreocupados e serenos!
Algumas empresas familiares complementaram empregos e rendas. As condições de vida, dentro das estatísticas nacionais, apresentavam-se confortáveis e elevadas!
O município, numa administração, atraiu um grande empreendimento industrial. Os incentivos, como premiação à instalação, revelaram-se irrecusáveis como oferta!
Os retornos, em impostos e urbanização, seriam grandes. O dinheiro permitiria ampliar e melhor a infraestrutura.  As esperanças e promessas da valorização imobiliária somaram-se!
A empresa obrigou a importação maciça de mão de obra! Ônibus e vãs, de longas distâncias, traziam forasteiros e trabalhadores. Outros cedo improvisaram casebres e vilas!
O pacato lugarejo, da noite ao dia, viu-se inchado de gente. O município, na questão criminalidade e insegurança, assumiu índices assustadores e inovadores!
“Qualquer chinelo, deixado porta afora, via-se surrupiado na calada da noite”. Os benefícios, em retornos, ficaram longe dos aborrecimentos, perigos e temores!
O velado arrependimento tomou forma entre os naturais. Por que ter trazido àquela inconveniência? O excesso de bem estar e conforto leva cedo a arrumar alguma sarna!
O progresso, em excesso, gera insegurança e ônus. Algumas modernidades, em função dos aborrecimentos vãos e incômodos cheiros, revela-se sábio manter distantes das instalações e residências. Os inços, em meio às morosas culturas e lavouras, predominam e sufocam antes do esperado e previsto!

                                                                                    Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://www.downloadswallpapers.com/papel-de-parede/fumaca-na-escuridao-18120.htm